15 de ago. de 2008

Projeto

Este foi o inicio. Projeto sendo executado.
Estas são fotos dos fundos da casa. Coqueiros. Água de coco na porta da casa. Podem ver, um enorme pátio. O que fazer com ele? Não houve dúvidas quanto a isto: vamos plantar. Tem espaço. Só precisamos iniciar. Aprender fazendo. Vai dar trabalho? Vai sim! Mas, se é este o lugar que escolhemos para viver, vamos lá. Olha, valeu a pena.... E, lá, tem algo muito lindo: o canto dos pássaros ao amanhecer! E os pássaros foram, em parte, se achegando na casa, pois nós adotamos dois cãezinhos abandonados: a Flor e o Tareco. E os pássaros iam lá comer os restos dos alimentos dos cães, além de atacarem nossas plantinhas.... hahahahahaha

Churrasqueira

Dá para enxergar? Esta era a nossa churrasqueira: embaixo de coqueiros, tijolos... carvão no meio! E, ebaaaaaaaaaaaaa ! Churrasco todos domingos! Podes crer: eu, como gaúcha, filha de um exímio assador de churrasco, nunca tinha feito um. Imagina o João, vindo lá de Portugal! Mas, tentando, a gente consegue! Queimava, ficava duro, salgado, sem sal... Foi um aprendizado! Vou aconselhar o João a escrever um livro e publicar , quem sabe com o título: "A saga de um português aprendendo a fazer churrasco."

Casa

Aqui registro a nossa casa lá. Foto tirada dos fundos para a frente. Fizemos um caminho de pedras do portão até a casa. Ao lado do caminho, plantamos flores. Na frente da casa e ao lado, plantamos grama e, no meio da grama, flores.
Lá é a terra do sol. Todo mundo diz que a terra não é boa. Não adianta tentar. Ora pois! Penso que é por não terem vontade de plantar. Sim, é preciso cuidados: água todos os dias, adubo...
É tão belo semear, ver nascer, plantar, ver crescer e dar frutos! É um milagre da vida!
E, nós, sem entendermos nada de nada, fizemos e vimos o milagre acontecer! Foi maravilhoso!

Na empresa..

Quando chegamos para trabalhar, foi, disfarçadamente, por parte de alguns, uma festa. Analisando, mais tarde, davam a entender que seríamos "Salvadores da Pátria". Outros não chegavam perto, mas ficavam à escuta, para saber realmente o que estaríamos fazendo ali. Era simples explicar. Muitos usavam o estratagema de agrado em demasia, favores, sorrisos, sei-lá-mais-o-que.. Mas estava sendo dificil eles simplesmente assimilarem isto: o João ia ocupar um lugar vago, o de eletricista. Eu, iria fazer na empresa, um serviço que estava sendo feito fora: a Contabilidade. Não pq quem o fazia, estava a fazer mal o trabalho, mas sim pq quando é feito na empresa, tudo se torna mais rápido e mais fácil de entender as operações realizadas. Era só isso. Ninguém queria ocupar o lugar de ninguém. Ninguém estava indo para investigar alguém. Convidamos o pessoal para almoçar lá em casa, no domingo, e assim nos ajudar a montar os roupeiros. Isto é, não no primeiro domingo que lá estávamos, mas no seguinte. Seria uma maneira de nos expor, de nos colocar como amigos, como sinais de soma, de mostrar como éramos, e, de conhecê-los também um pouco mais, fora da área de trabalho. Isto, tinha sido feito na primeira semana que lá estávamos, pelos gerentes. Fomos jantar com eles. Eles também queriam nos analisar, estudar. hehehe Jogos. Bom, lá em casa só apareceram duas meninas e seus namorados. Gente fina. Finíssima. Os outros, nos deram a entender que não foram pq dentro da empresa não havia amigos e não eram bem vistos os que fora da empresa cultivavam uma amizade. Talvez, no jantar com os gerentes a gente não tenha causado boa impressão. Eu, por ter me proposto mais a ouvir do que falar; o João, pelo hábito que tem de comparar tudo com a Europa, com Portugal. E, fazendo comparações, ele mostrou-se, um tanto quanto tipo agitador. Mas, erro meu no almoço com o pessoal que lá em casa foi: eu falei, e falei muito. Falei de situações do Sul que estavam acabando com a saúde dos funcionários, falei minha opinião a respeito de donos e gerentes opressores... Jacaré não entra no céu pq tem boca grande... Em boca fechada não entra mosca...

Erros

Sim, talvez tenha sido este o maior erro: acreditar nos nossos 30 anos de experiência e acreditar que eram empresas regidas pelos mesmos donos. Erro ter acreditado que o mesmo meu agir e pensar no Sul poderia ser aplicado no Centro-Oeste. Erro o João achar que por saber bem mais do que julgavam, não precisaria se submeter a regras ou comandos. Neste ponto, lá estava o erro: se eu trabalho há trinta anos em Contabilidade, há necessidade de tentares estabelecer regras quanto onde, quando lançar? Se há trinta anos o João trabalhava construindo, montando, instalando, consertando, há necessidade de tentares ditar o que fazer, onde e como? A experiência nos ensina a olhar e dar de cara do onde, como, quando. Nos ensina também que cada empresa tem uma maneira de caminhar, e, para acertar tudo, era só esperar o "andar da carruagem".. Sim, talvez o maior erro tenha sido ir de coração limpo. Sim, talvez o maior erro tenha sido o João ser estrangeiro, e, além de estrangeiro com dificuldades para entender e se fazer entender, ser português, e carregar um orgulho demasiado da sua cidadania e isso o tornava uma pessoa fechada, silenciosa. Orgulho, este silêncio, ou medo de não o entenderem? Este é um assunto que dá "pano para manga" e, por isso ainda voltamos a ele...
Mas alguma coisa por lá andava acontecendo.
Vou tomar um café e já voltoooooooo

13 de ago. de 2008

Continuando..

Quando chegamos à cidade, onde, segundo nossos planos, seria o nosso cantinho, foi numa manhã de terça-feira, antes da 7 horas. Foram nos buscar na rodoviária. Ganhamos café da manhã... hehehe Depois, a moça da imobiliária foi nos levar as chaves da casa e nos levou até lá. Uma casa grande. Aliás, um pátio muito grande!!!!!!!!! A nossa mudança já estava nos esperando. Alguns rapazes da empresa onde fomos trabalhar foram lá ajudar a descarregar. Descarregar foi rápido. Pior foi montar as coisas. Começamos logo. Calor. Calor. Ficamos terça, quarta... sempre a colocar as coisas no lugar. Na quinta-feira já vieram avisar que deviamos começar na sexta-feira! Eu já conhecia a cidade e dela gostava pelas suas ruas largas, seu verde lindíssimo, mesmo sob sol intenso dia após dia. Mas, seria a nossa cidade... como sou sonhadora e não enxergo um palmo à frente do nariz! Não, não precisam me bater. Já apanhei bastante por ter sonhado "um sonho cor-de-rosa"... Para quem ama o calor, é um lugar sensacional - verão o ano inteiro! Pior que o calor me deixa toda inchada, pressão baixa, sem vontade para nada. Pior que estávamos longe de qualquer pessoa da familia mais ou menos uns 3.500 km! Pior que não temos carro e lá, transporte coletivo, só o da prefeitura e só fazia um trajeto entre algumas ruas da cidade até o Distrito Industrial. Pior que nem bicicleta tínhamos, ou moto, ou condições de comprar carro, bicicleta, moto... 50 % da população tinha carro - 30% bicicleta ou moto e, nós outros, 20%, de transporte coletivo. Ir de um bairro à outro, só arrumando carona, ou andando, andando, andando.... Paro aqui. Tô com fome. hahahahaha

12 de ago. de 2008

Saber ...

Conversando com o João, eu aqui, ele lá em Portugal, qdo nos conhecemos, falamos sobre nosso trabalho. Contei sobre o meu. Ele falou sobre o dele. Mas, como lá e aqui, algumas palavras tem significados diferentes, ou são usadas palavras lá que aqui não estamos acostumados a usar... só sei que eu entendi que o João era eletricista. Bom. Pensei cá com meus botões: ele é gente simples, de simples trato.. Isso fazendo comparações como os eletricistas que aqui conheço. Seria par perfeito para a simplicidade do meu viver. Ledo engano! Quando aqui chegou, aos poucos fui descobrindo quem era o João realmente, falando profissionalmente. E, isso se fez verdade quando estive com ele em Portugal, visitando os amigos, local onde ele trabalhava. Descobri que o cara, o moço que se intitulava eletricista simplesmente, tinha uma bagagem de 30 anos de trabalho. Iniciou como aprendiz de eletricista. Depois foi se aperfeiçoando, com a prática, com a determinação... No final das contas, eu posso hoje entender que, ele, trabalhando em uma empresa, comparando com o Brasil, estatal, era o responsável pela concretização de obras diversas na cidade do Porto, tanto no que toca a compra de material, discussão com os engenheiros sobre as plantas elaboradas, tanto no comando da mão-de-obra : linhas para metrô, pontes, jardins (praças, para nós).. e sei lá mais o que!!!!!!!!!!!!! Um homem que viajou bastante, a trabalho, dentro da Europa. Um homem com conhecimento bárbaro sobre história européia, sobre a política atual lá daquele lado. Ainda me é dificil aceitar, pois eu pensei ter ao meu lado um homem simples como eu, mas cá tenho ao lado um poço de conhecimentos... Eu sou um "pouco" alienada, desligada...

8 de ago. de 2008

Pai

Domingo é dia dos pais. Qdo a gente é criança, ele é nosso herói. Na adolescência, ele não sabe nada da vida. Qdo começamos a trabalhar, a andar pela estrada da vida, ele é um velho, desatualizado... Quando temos um filho, começamos a entender e comprender a sua figura. Quando ele se aposenta, ainda o achamos jovem para isso. Quando ele tem setenta anos, suas rugas, a curvatura da sua coluna, suas mãos calejadas, nos fazem pensar se nós fomos capazes de o amar e abraçar em todos os momentos, nós começamos a ver a sua longa caminhada e o resultado dela. Mas, entre lágrimas, concluimos que ainda é tempo de abraçar e dizer "te amo". Quando ele tem 84 anos, a gente tem vontade de o apertar e... pedimos ainda ter tempo de beber de seus conhecimentos, sua sabedoria. Ao meu pai, o meu amor, o meu carinho... E, acabo de ver que, se aos 84 anos eu chegar, serei um tanto teimosa e rabugenta como ele, hahahahahaha

Palavras, pedidos..

Bolas, a gente estava indo para lá. O contato entre lá e aqui é significativo, é necessário. Mas, eu não poderia dizer para ninguém de lá que nós estávamos indo. Raios, como evitar isso, se eu precisava da ajuda das meninas que lá trabalhavam para conseguir uma casa para nós? Outra: nós não íamos para ocupar o lugar de nenhum funcionário lá de dentro. Pq não falar a verdade? Para que esconder? Isso era impossível! Fato estranho: enviei os documentos do João. Pouca coisa perguntaram sobre o que ele realmente sabia fazer, ou o que ele fazia lá em Portugal. Mas, até aí, tudo bem. Eles iriam descobrir com o tempo e explorar todo o conhecimento dele. Pensava eu. Outra, a decisão de nos levar para lá partiu daqui do Sul. Depois é que foi comunicada para o pessoal lá do Centro-Oeste. Acho que não gostaram. Acho até que nem queriam que fôssemos, pois a demora para nos informar sobre qdo ir ou não ir, foi demorada.
ihhhhhhhhhh hoje é sexta-feira! Está frio. Estou cansada. Meus dedos não estão ágeis. Muito menos o Tico e o Teco. Tô com sono!!!!!!!!!!!!! Tchau. Volto na semana que vem!

7 de ago. de 2008

De mala e cuia..

Quando o João chegou em primeiro de janeiro de 2006, eu já estava com 90% das nossas coisas encaixotadas, casa alugada lá onde íamos, acertos de casa e etc e tal que deveriam ser feitos referente ao apartamento onde estávamos morando. João chegou! Que festa! Agora eu sabia que ele estava retornando para aqui ficar. Visitamos amigos e familia para a despedida. Fiz doação de toda a minha roupa de inverno. Nós estávamos partindo para não mais retornar. Era essa a nossa intenção. Retorno só para visitas. Uma vez por ano quem sabe... A não ser que o trabalho para o João sorrise de tal maneira, nos proporcionando a chance de retorno. Sonhamos muito. Ainda bm que ainda não se paga imposto sobre sonhos... Nós partimos no inicio de janeiro de 2006, com o coração aberto, prontos para chegar lá, ocupar nosso lugar, ajudar num desenvolvimento maior da empresa, usando nossos conhecimentos, nossa prática de 30 anos. Coração aberto. Inocência nos planos e sonhos. Confiança nos que lá estavam, naquele que aqui nos contratou. Eu deveria ter analisado mais os detalhes. Deveria ter conversado mais com minha familia, minhas amigas... Devia... Eu, de olhos vendados, carreguei o João comigo. Olhos vendados sim. Cega. Surda. Acho que pensei que eu era alguém. Que o João também.
Bolas, só escrevo nos últimos minutos do nosso horário.. Paro por aqui. Mas, atenção: amanhã eu conto os detalhes que eu deveria ter ouvido, palavras que deveria ter prestado atenção, atitudes que deveriam ter me alertado... Boba. Eu.

Raquel

Sei que eu deveria ter escrito isto ontem, pois ontem era o dia do teu aniversário. Mas, passsei o dia inteiro a ligar, ligar, ligar... e não te encontrei. Estava chateada. Bolas, queria ter sido eu a primeira a cantar parabéns, a te desejar uma vida bela e perfumada, uma bela e perfumada vida como o Lirio r que te enviamos. Para a minha menininha, um pedido de desculpas pela crise de ciumeira... hahahaha Te amo. Te amamos.

6 de ago. de 2008

Dodói

Dizem que a mágoa, o não estar bem em algum lugar, o não estar bem consigo mesmo e, consequentemente, com os que estão ao nosso redor, faz a gente criar doenças. Lá isso é vero! Pode apostar! Mas, é para dissipar a mágoa, ou encontrar as razões, que resolvo escrever. Porém.. sempre tem um porém! Não vou poder citar nomes, etc e tal... Bolas, talvez assim eu comece a pensar: não posso escrever isso, nem isso, nem aquilo... hahahaha Vamos ver no que vai dar. Tenho é que encontrar mais tempo para a alma abrir, deixar jorrar os desencantos, para poder partir para a transformação - desencanto em encantos, cores, sons, sabores...

5 de ago. de 2008

Burrice...

Aí, aí.. não pensei duas vezes - era uma maneira do João ficar ilegal sem ser importunado e, o melhor, trabalhando. Eu ficaria longe da minha familia. Talvez fosse essa a hora de sair debaixo da saia da mamãe, de começar uma vida nova bem longe.
Burrice a minha. Devia ter corversado com mais gente, devia ter falado mais, devia ter pensado mais, devia ter analisado mais... hahaha Parece uma musica que a gente bem conhece. É que em momento algum eu duvidei que 30 anos de trabalho, tanto ele como eu, técnicos em nossa profissão, pudesse dar algum erro. Íamos para ocupar lugares que estavam vagos e não para tomar o lugar de outras pessoas. Pensei que 30 anos fôssem uma ótima referencia. Pensei que tínhamos o título de "responsáveis" . Pensei ... Burrice minha. Falta de visão. Falta de uma ferramenta no cérebro chamada "desconfiômetro". Tico e Teco não funcionaram naquela época. Outubro de 2005. Pôrra, eu tinha até dezembro para enxergar! Devia ter... Devia sentir.. Devia saber... Mas, tudo na vida é um aprendizado. Acho que tudo o que fazemos, gera uma consequência que de maneira ou outra devia ser necessária no caminho, para nos ensinar, fazer pensar, aprender... hehehehehe

4 de ago. de 2008

Aprendizado ou aprendendo?

Para o João retornar ao Brasil, só poderia ser dia 01/01/2006. E, aqui ficar como turista seis meses. E, como nós sabíamos, o divórcio não iria ser homologado antes destes seis meses. Então decidimos que ele viria e ficaria aqui como um "ilegal" até acertamos a situação. Pior seria ter que andar às escondidas, para que a Policia Federal não o encontrasse. Seria viver em constante sobressalto e nem procurar um trabalho ele poderia. Olha, eu trabalhava, naquele ano, há 30 anos na mesma empresa. Conversa vai, conversa vem com o pessoal desta empresa, recebi uma proposta para irmos para a região centro-oeste do Brasil, onde este pessoal tem parentes com uma empresa do mesmo ramo. Lá haveria emprego para nós dois. Lá, a Policia federal "era logo ali"... E, o João também havia trabalho para a empresa de onde veio, Portugal, por 30 anos. Então, tínhamos experiência, e por ser 30 anos, significava, pelo menos para nós, que éramos responsáveis e confiáveis... Ops!!!!!!!!!!!! tá na hora de ir embora! Volto outro dia para continuar!

1 de ago. de 2008

Parque Barigui

Lá vão as fotos: Repetindo a dose.
Foi engano da mocinha aqui. hehehehe

Barigui

Um dia de descanso em Curitiba: mãe e filha "trocando figurinhas". O João meditando... E o genro? Ora pois, alguém tinha que trabalhar, né? hahahaha.. Bolas, não consigo adicionar as imagens..

Luminária

Olha o outro presente: uma luminária de teto. A base é uma panela velha!

Fotos

Estes foram os presentes que nós levamos para a Raquel e o César. Quando a moça nos perguntou se levávamos algo difrente na mala, o João foi citando: duas pedras, uma panela velha, fios, hastes de ..(não lembro o q ). Ela sorriu. Deve ter pensado que éramos meios "tantãs"!
Duas pedras, furadas no centro. No centro foram colocadas lâmpadas. E, não são como abajures, pois sua lâmpada escondida no centro da pedra dá tão somente uma tênue claridade, mas podruz um efeito de luz na parede que é genial! Vejam acima!